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Ginecologista alerta para a necessidade de cuidados com a saúde da mulher

19 de Marco de 2019 às 13h30

O acompanhamento ginecológico deve fazer parte da lista de check-up regular de toda mulher, da pré-adolescência à terceira idade. As consultas não devem ter unicamente a intenção de avaliar possíveis problemas de saúde, mas também buscar orientações e esclarecer dúvidas que acontecem em cada fase da vida. Nesta entrevista, a ginecologista Patrícia Antonini Duarte, do Instituto de Saúde da Mulher, credenciado à Amagis Saúde, esclarece as principais dúvidas no cuidado com a saúde feminina. 

Um levantamento conduzido pelo Instituto Datafolha e divulgado este mês mostra que cerca de 20% das brasileiras acima dos 16 anos não vão ao ginecologista com regularidade. Na sua opinião, por que ainda tantas  mulheres não visitam o ginecologista?

Isso depende muito do nível socioeconômico das mulheres e da faixa etária. Paciente assistidas por planos de saúde têm um acesso mais fácil. Já aquelas que dependem do Sistema Único de Saúde têm menos acesso às consultas ginecológicas. 

Estamos falando do total da população de mulheres e, nos extremos, mulheres muito novas que, por ainda dependerem das mães para acompanhá-las ao ginecologista e talvez pela falta de diálogo entre mãe e filha, vêm em menor frequência. Já as mais idosas muitas vezes deixam de ir ao ginecologista por vergonha, desinformação e a crença em mitos que não foram corretamente abordados. 

Quais são os problemas enfrentados pelas mulheres na atualidade que mais impactam negativamente na saúde delas?

A mulher hoje é muito dinâmica. Ela precisa organizar a própria vida, às vezes a do marido, dos filhos, e isso gera problemas como ansiedade, medo, estresse e insônia, aumentando a probabilidade de aparecimento de depressão e infecções oportunistas. No que diz respeito à ginecologia, observamos o aumento de doenças ligadas à diminuição da imunidade, como candidíase de repetição. 

Quais os principais erros cometidos pelas mulheres no dia a dia que podem comprometer a saúde do ponto de vista ginecológico? 

Alimentação inadequada, que gera doenças ligadas à diminuição da imunidade; obesidade, que provoca aparecimento de resistência à insulina, ovários policísticos e infertilidade - que também está diretamente ligada ao uso de agrotóxicos na alimentação, diminuindo a reserva ovariana. 

Sabemos também que a prática diária de qualquer exercício, seja uma caminhada de 30 minutos, pode diminuir a chance de a mulher apresentar câncer de endométrio, mama e ovários e aparecimento de síndromes metabólicas, como ovários policísticos e infertilidade. Não podemos nos esquecer de que a atividade física de impacto também está diretamente relacionada a menor incidência de osteoporose e osteopenia. 

Outro erro muito praticado por mulheres é o uso de roupas íntimas inadequadas e sabonetes íntimos sem orientação médica. Isso pode alterar a flora vaginal e provocar corrimento patológico como a candidíase de repetição. 

Alimentos gordurosos

Gordura está relacionada a casos de infertilidade 

A senhora percebe que as mulheres estão mais atentas e informadas sobre o câncer de mama?

Sim, elas estão mais interessadas, pedem para realizar mamografias regularmente e muitas fazem o autoexame com frequência. A orientação é que a mamografia seja realizada pela primeira vez com 35 anos, a cada dois anos entre os 40 e 50 anos e, após essa idade, anualmente. Vale lembrar que existem outros exames como o ultrassom de mamas, ressonância magnética e a tomossíntese mamária, que também podem ajudar no diagnóstico. 

O uso de anticoncepcional por períodos prolongados pode causar infertilidade ou outros problemas?

Não existe relação entre o uso de anticoncepcionais por tempo prolongado e a infertilidade. Se a mulher parar o contraceptivo por um mês que seja ela volta a ter sua função reprodutiva normalmente, ou seja, ela volta a ovular espontaneamente. O que acontece, na maioria das vezes, são problemas que já existiam antes do uso do contraceptivo e que não tinham sido detectados, como a síndrome dos ovários policísticos. 

A pílula tem alguma contraindicação?

Existem diversos tipos de contraceptivos orais no mercado (pílula). A decisão de qual utilizar deve ser individualizada. Nem todo mundo pode usar contraceptivos orais. Um bom exemplo são paciente com diagnóstico de trombofilias, que devem fazer uso de métodos não hormonais ou hormonais com progestágenos. 

Que sinais indicam que a mulher que sofre com TPM deve buscar ajuda médica?

A síndrome chamada de TPM (tensão pré-menstrual) é um conjunto de sinais e sintomas que aparecem na segunda fase do ciclo menstrual, a fase progestacional. É caracterizada por cefaleia, ansiedade, estresse, depressão e edemas (inchaço). Ela pode ser tratada de várias maneiras, individualizando os sintomas. Realizar uma modulação hormonal, tratar cefaleia com analgésicos, usar antidepressivos e ácido gamalinoleico, fazer dieta e praticar exercícios fazem parte desse arsenal. 

Caminhada

Exercício físico regular reduz a ocorrência de câncer de endométrio, mama e ovários 

A endometriose atinge hoje cerca de 10% de todas as mulheres na vida reprodutiva. Ela tem cura?

A endometriose é a doença da mulher moderna. Ela é caracterizada pela presença de tecido endometrial fora do endométrio. Pode estar presente na pelve, nos ovários, nas trompas e até mesmo no intestino. Provoca dor abdominal, tipo cólicas incapacitantes, dor nas relações sexuais e até mesmo infertilidade. Ela deve ser diagnosticada o mais breve possível. O tratamento depende de sua localização e extensão e visa melhora da qualidade de vida e controle da doença. 

A mulher que tem endometriose consegue engravidar?

Gravidez e endometriose é uma relação extensa e polêmica.  Existem pacientes com endometriose mínima que engravidam espontaneamente. Por outro lado, a doença pode causar alterações da arquitetura pélvica, aderências e obstrução nas trompas, impedindo a paciente de engravidar espontaneamente. 

Quando as secreções vaginais são sinais de doença?

Existe um corrimento, que chamamos de fisiológico, que é aquele que varia de acordo com a fase do ciclo menstrual. Pode ser meio amarelado, tipo clara de ovo, e não causa coceira ou ardor. Os corrimentos patológicos são aqueles que têm odor fétido esverdeados e que podem causar coceira, ardor e dor nas relações sexuais e ao urinar. Eles podem ou não ser decorrentes de contatos sexuais e devem ser tratados. 

A única maneira de diagnosticar o HPV é por meio do exame papanicolau?

O HPV, ou papilomavírus humano, é comumente encontrado em forma de lesão no colo uterino, na vulva, na vagina e em região perianal. Seu diagnóstico é feito por meio de um exame físico bem feito com a colposcopia, que nada mais é que observar as lesões provocas pelo vírus através de um microscópio, e da citologia oncótica ou em base líquida, na qual colhemos secreção do colo do útero e a enviamos a um patologista que avalia as células. 

O HPV também pode ser detectado por meio do exame de sangue. Quando o resultado do exame para detecção do vírus é positivo, significa que a pessoa possui o vírus, mas não necessariamente possui câncer ou sintomas, podendo não ser necessária a realização de tratamento. Quando o exame para HPV é negativo, significa que a pessoa não está infectada. 

Toda mulher que está na menopausa precisa fazer reposição hormonal?

O climatério é um conjunto de sinais e sintomas que anunciam o fim da vida reprodutiva da mulher. Um dos sinais é a menopausa, última menstruação. Quando entramos no climatério, não necessariamente precisamos repor hormônio, mesmo porque não paramos de produzi-lo completamente. A reposição deve ser individualizada, e sua decisão deve ser tomada de acordo com os sintomas e desejo da paciente.

 

* A ginecologista Patrícia Antonini Duarte é credenciada à Amagis Saúde
**O plano de saúde da Amagis conta com profissionais e clínicas especializadas. Acesse o link “Rede Credenciada” no site. A cobertura dos procedimentos segue recomendações da Agência Nacional de Saúde (ANS).